Valor total de empréstimos habitação atingiu 114,6 mil milhões de euros em abril. BdP fala em maior aumento em 23 anos.
A alta procura por financiamento para comprar casa nos últimos anos acumulou o maior montante de sempre em empréstimos habitação em Portugal, de 114,6 mil milhões de euros. Este valor total concedido em créditos habitação foi registado em abril e trata-se de um aumento anual de 10,7%, o mais elevado em 23 anos, informou o Banco de Portugal (BdP).
A nível mensal, “o stock de empréstimos para habitação aumentou 1.021 milhões de euros, atingindo 114,6 mil milhões de euros no final de abril”, revela o BdP no boletim divulgado esta segunda-feira, dia 1 de junho.
Este é mesmo o maior montante total de empréstimos habitação registado pelo supervisor bancário, que tem dados que remontam a 1979, superando mesmo os níveis registados no início de 2011 – também acima de 114 mil milhões de euros – altura em que o país estava mergulhado na crise imobiliária iniciada em 2008.
Em comparação com o mesmo mês do ano passado, o valor total concedido em créditos habitação em Portugal cresceu 10,7%. “A taxa de variação anual dos empréstimos para habitação foi a mais elevada desde fevereiro de 2003”, assinala ainda o banco central.
No cenário europeu, Portugal apresenta a quarta maior taxa de variação anual no stock de empréstimos habitação, estando apenas atrás da Bulgária (27,1%), da Croácia (15%) e da Lituânia (14,3%). E continua bem acima da média da área euro (2,9%), algo que já acontece desde agosto de 2024.
Há vários fatores que ajudam a explicar este aumento anual que elevou o montante total de crédito habitação em Portugal para novos máximos. Por um lado, os preços das casas têm vindo a aumentar a dois dígitos, elevando os montantes dos créditos. Por outro lado, as taxas de juro ainda estão acessíveis, apesar de já estarem a subir à boleia da Euribor que já sente os impactos da guerra no Médio Oriente e antecipa um aumento dos juros diretores por parte do Banco Central Europeu em junho.
A somar a tudo isto, há ainda os incentivos aos jovens para comprarem a sua primeira casa, como a isenção de IMT e a garantia pública. Esta última medida, ao permitir financiamentos a 100%, também eleva os montantes solicitados, com o BdP a alertar para os riscos que daí advêm. Para prevenir problemas futuros, o regulador liderado por Álvaro Santos Pereira já avançou com alterações ao limite máximo da taxa de esforço reduzindo-o de 50% para 45%.
O dinamismo na compra de casa no país também se reflete nas empresas que estão a pedir cada vez mais dinheiro à banca de forma a financiar novos empreendimentos residenciais. “O crédito ao setor da construção e atividades imobiliárias continuou a acelerar, atingindo uma taxa de variação anual de 12,1% (11,6% em março)”, lê-se ainda no boletim. É a maior taxa de variação anual entre os principais setores de atividade empresarial analisados.
Fonte: Idealista