03 Junho 2026
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Crédito habitação atinge maior montante total de sempre em Portugal

Valor total de empréstimos habitação atingiu 114,6 mil milhões de euros em abril. BdP fala em maior aumento em 23 anos.

A alta procura por financiamento para comprar casa nos últimos anos acumulou o maior montante de sempre em empréstimos habitação em Portugal, de 114,6 mil milhões de euros. Este valor total concedido em créditos habitação foi registado em abril e trata-se de um aumento anual de 10,7%, o mais elevado em 23 anos, informou o Banco de Portugal (BdP).

A nível mensal, “o stock de empréstimos para habitação aumentou 1.021 milhões de euros, atingindo 114,6 mil milhões de euros no final de abril”, revela o BdP no boletim divulgado esta segunda-feira, dia 1 de junho.

Este é mesmo o maior montante total de empréstimos habitação registado pelo supervisor bancário, que tem dados que remontam a 1979, superando mesmo os níveis registados no início de 2011 – também acima de 114 mil milhões de euros – altura em que o país estava mergulhado na crise imobiliária iniciada em 2008.

Em comparação com o mesmo mês do ano passado, o valor total concedido em créditos habitação em Portugal cresceu 10,7%. “A taxa de variação anual dos empréstimos para habitação foi a mais elevada desde fevereiro de 2003”, assinala ainda o banco central.

No cenário europeu, Portugal apresenta a quarta maior taxa de variação anual no stock de empréstimos habitação, estando apenas atrás da Bulgária (27,1%), da Croácia (15%) e da Lituânia (14,3%). E continua bem acima da média da área euro (2,9%), algo que já acontece desde agosto de 2024.

Há vários fatores que ajudam a explicar este aumento anual que elevou o montante total de crédito habitação em Portugal para novos máximos. Por um lado, os preços das casas têm vindo a aumentar a dois dígitos, elevando os montantes dos créditos. Por outro lado, as taxas de juro ainda estão acessíveis, apesar de já estarem a subir à boleia da Euribor que já sente os impactos da guerra no Médio Oriente e antecipa um aumento dos juros diretores por parte do Banco Central Europeu em junho.

A somar a tudo isto, há ainda os incentivos aos jovens para comprarem a sua primeira casa, como a isenção de IMT e a garantia pública. Esta última medida, ao permitir financiamentos a 100%, também eleva os montantes solicitados, com o BdP a alertar para os riscos que daí advêm. Para prevenir problemas futuros, o regulador liderado por Álvaro Santos Pereira já avançou com alterações ao limite máximo da taxa de esforço reduzindo-o de 50% para 45%.

O dinamismo na compra de casa no país também se reflete nas empresas que estão a pedir cada vez mais dinheiro à banca de forma a financiar novos empreendimentos residenciais. “O crédito ao setor da construção e atividades imobiliárias continuou a acelerar, atingindo uma taxa de variação anual de 12,1% (11,6% em março)”, lê-se ainda no boletim. É a maior taxa de variação anual entre os principais setores de atividade empresarial analisados.

Fonte: Idealista