07 Maio 2026
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Crédito às famílias bate recordes e maior fatia é para comprar casa

Nunca se pediu tanto crédito à banca. As novas operações de empréstimos a particulares ultrapassaram pela primeira vez, em março, a barreira dos 4.000 milhões de euros, segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal (BdP). O crédito habitação voltou a bater recordes, sendo o principal motor deste novo máximo histórico.

Os empréstimos habitação destacaram-se com 2.238 milhões de euros em novas operações, mais 536 milhões do que em fevereiro, representando a grande fatia de empréstimos bancários a particulares. No conjunto das operações de crédito para a casa que incluem novos contratos e renegociações, o aumento foi expressivo: mais 978 milhões de euros face a fevereiro e mais 754 milhões em comparação com o mesmo mês de 2025.

Já os novos contratos de crédito a particulares totalizaram 3.304 milhões de euros, um acréscimo de 759 milhões de euros em relação ao mês anterior. Dentro deste segmento, para além da habitação, o crédito ao consumo atingiu 734 milhões de euros (+143 milhões), enquanto os empréstimos para outros fins somaram 333 milhões de euros (+80 milhões), com todas as categorias a registarem novos máximos históricos.

As renegociações também aumentaram, fixando-se em 753 milhões de euros, mais 219 milhões do que em fevereiro. A subida foi sobretudo explicada pelas renegociações de crédito habitação, que cresceram 211 milhões de euros, indica o BdP.

No plano das taxas de juro, o crédito ao consumo registou uma média de 8,77%, menos 0,24 pontos percentuais do que no mês anterior. Em termos comparativos, Portugal manteve-se entre os países com juros mais elevados da área do euro, ocupando a sexta posição, ainda que tenha descido duas posições face a fevereiro.Já no crédito para outros fins, a taxa média recuou ligeiramente para 3,41% (-0,02 p.p.).

O BdP refere ainda que o crédito concedido às empresas também acelerou em março, totalizando 3.641 milhões de euros, mais 1.168 milhões do que em fevereiro. Este aumento resultou sobretudo dos novos contratos, que cresceram para 3.511 milhões de euros (+1.299 milhões), com 23% do montante a ser concedido no âmbito de programas com garantia pública.

Mais de 80% do novo crédito habitação com taxa mista
A taxa de juro média dos novos contratos de crédito habitação desceu de 2,83%, em fevereiro, para 2,81% em março. A dos contratos renegociados diminuiu 0,09 pp, para 2,75%.

Na área do euro, a taxa de juro média das novas operações de empréstimos habitação reduziu 0,02 pp, para 3,35%. Portugal apresentou a quarta taxa de juro mais baixa entre os países da área do euro, descendo uma posição face ao mês anterior.

Analisando em mais detalhe as novas operações de empréstimos e o ‘stock’ de empréstimos concedidos a particulares para construção e aquisição de habitação própria permanente, verifica-se que, em março, 81% dos novos empréstimos foram contratados a taxa mista (taxa de juro fixa num período inicial, seguida de taxa variável).

A taxa de juro média das novas operações a taxa mista manteve-se em 2,71%, enquanto a taxa de juro média das novas operações a taxa fixa aumentou 0,05 pontos percentuais para 3,75% e, nas operações a taxa variável, diminuiu 0,06 pontos percentuais para 2,79%.

Já a prestação média mensal do ‘stock’ de empréstimos à habitação aumentou pelo sétimo mês consecutivo: situou-se em 424 euros, mais dois euros do que em fevereiro.

Fonte: Idealista